Saiba Como Escolher o Microinversor Solar

É importante ressaltar a importância de se consultar profissionais na primeira etapa de escolha de um microinversor solar, pois a falta de experiência pode acarretar um dimensionamento não compatível com funcionamento desejado para seu sistema de energia solar.

Citaremos, abaixo, alguns dos principais fatores que devem ser levados em conta para escolher um microinversor para seu sistema fotovoltaico.


  1. Compatibilidade com a tensão da concessionária

  2. Ajuste da tensão nominal  

  3. Comunicação integrada e rede Wi-Fi

  4. Garantia do microinversor

  5. Assistência Técnica e confiabilidade do fabricante

  6. Suporte Técnico e confiabilidade do distribuidor

  7. Número de MPPTs em microinversores

  8. Potência do microinversor solar

  9. Eficiência do microinversor

  10. Preço e custo-benefício


1. Compatibilidade com a tensão da concessionária

Para não comprar um microinversor com saída de tensão diferente da rede, fique atento sobre qual a tensão da concessionária da sua região e cheque se o seu microinversor é compatível.

É importante saber que existem tensões de rede diferentes para cada região do país — ou seja, a localização geográfica é um detalhe importante para verificar qual modelo de microinversor deve ser adquirido (embora seja importante destacar que pode haver variações de tensão dentro da mesma cidade, a depender de cada instalação).

As tensões existentes espalhadas pelo Brasil são de 110V, 115V, 127V, 208V, 220V, 254V, 380V e 440V. Verifique, no quadro abaixo, as variedades de tensões:


Quadro tensões elétricas concessionárias Brasil


Checar se a tensão do microinversor é atende à rede elétrica da sua região é um ponto fundamental a ser levado em conta na hora de se adquirir um equipamento, e é importante saber que um mesmo microinversor pode ter compatibilidade também com redes de tensões diferentes.

Por isso outro ponto de atenção é checar se o microinversor a ser adquirido é de modelo monofásico, bifásico ou trifásico.

Quando a rede em que o microinversor trabalha for bifásica ou trifásica, é possível ligá-lo em duas fases e isso faz com que, por exemplo, um microinversor 220V possa ser ligado em rede 127V sem nenhum problema.

Isso ocorre também com outras tensões. Veja, na tabela abaixo, a compatibilidade dos microinversores:


Tabela de compatibilidade rede elétrica microinversor monofásico, bifásico e trifásico


2. Ajuste da tensão nominal

Ainda sobre a tensão do equipamento, uma dica é adquirir microinversores que permitem ajustes da tensão nominal – evitando, assim, problemas se as flutuações de tensão do aparelho saírem do “range” ou “faixa de operação/ funcionamento” do microinversor (a faixa que define os limites de tensão seguras para o aparelho).

A tensão nominal do inversor deve ser sempre a mesma que a tensão nominal da rede e, como essa tensão da rede varia em todo o país, checar se o microinversor oferece a possibilidade de ajuste é crucial.

Esse detalhe é importante pois todo inversor deve desligar por segurança quando a tensão sai do limite desejável, porém esse limite é definido em função da tensão nominal.

Portanto, mesmo que a tensão nominal da rede esteja dentro da faixa de operação do microinversor, se a tensão nominal do microinversor for diferente da nominal da rede, as flutuações acabarão ocasionando desligamentos desnecessários (perda de eficiência) ou, pior, não atuarão quando deveriam (problema de segurança).

Podendo ajustar a tensão nominal, é possível minimizar esse problema e definir o valor mais apropriado para que o aparelho não ultrapasse a tensão de segurança com constância.

Nem todos os microinversores permitem esse tipo de ajuste em campo, por isso é importante tirar essa dúvida no momento da compra.


3. Comunicação integrada e rede Wi-Fi

Microinversores oferecem a possibilidade de monitoramento remoto de diferentes maneiras, sendo a mais comum e recomendada a conexão por Wi-Fi pela facilidade e custo de instalação.

Na hora de escolher seu equipamento, vale verificar se o microinversor oferece comunicação Wi-Fi integrada que se comunica com o roteador de internet ou se exige a compra de um aparelho externo para ser conectado.

Alguns microinversores precisam de uma unidade externa específica (geralmente chamada de Data Transfer Unit – DTU) para conversar com o roteador e permitir o monitoramento pelo Wi-Fi, enquanto outros se comunicam diretamente com o roteador.


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A compra desse componente representa um custo adicional e é provável que seja necessário trocar a DTU de tempos em tempos (já que esses aparelhos possuem vida útil e garantias menores que as de microinversores). Essa troca, além de custosa, pode ser trabalhosa, pois a DTU não é um item facilmente encontrado no mercado.

Quando trabalha com conexão integrada, um microinversor oferece grandes vantagens ao tornar a conexão à internet mais barata (sem a necessidade da compra de DTUs) e acessível (basta contar com um roteador ou access point próximo para conectar o equipamento à rede), além de evitar dores de cabeça no futuro.


4. Garantia do microinversor

Os microinversores possuem garantia maior do que os inversores comuns (conhecidos como inversores string). Enquanto os string geralmente dão 5 ou 7 anos de garantia, os microinversores possuem garantia de 10 a 15 anos, também expansíveis até 25 anos. Escolha sempre um microinversor com garantia de pelo menos 10 anos.

Mais do que olhar o tempo do benefício, é importante também verificar a confiabilidade do fabricante ou distribuidor do seu microinversor para ter a segurança de que poderá executar essa garantia quando precisar.

Afinal, 10 anos de garantia é um longo período e é importante ter a tranquilidade de que a empresa contratada seguirá prestando um bom serviço por todo esse tempo.



Veja preços e opções de microinversores


5. Assistência Técnica e confiabilidade do fabricante

Como costumamos fazer com qualquer produto, uma pesquisa sobre a confiabilidade do fabricante é também um fator importante na hora de se adquirir um microinversor.

Procure empresas que tenham boa reputação, com avaliações positivas de seus equipamentos e certificações técnicas reconhecidas. Esses são indícios de que essas marcas têm compromisso com as inovações tecnológicas, como também de segurança para oferecer um equipamento de alta qualidade.

Comprando equipamentos de um fabricante de boa reputação, você terá a segurança de que os detalhes técnicos do produto (como durabilidade/ vida útil, potência, eficiência e outros dados) são verdadeiros e atestados de forma independente.

Além da preocupação sobre o produto em si, você também deve verificar se o fabricante possui assistência técnica no Brasil — um importante diferencial, considerando que microinversores são produtos com longa vida útil e devemos pensar na praticidade para ser atendido em casos de problemas durante o uso (além de eventuais defeitos de fabricação, que devem ser cobertos pela garantia).

Claro que seu distribuidor poderá ajudar no caso de um problema, porém a garantia será sempre exercida pelo fabricante, por isso a importância da presença local.

Busque sempre conhecer todas as informações sobre o suporte técnico da fabricante do seu microinversor — como a cidade onde o serviço de apoio está localizado e dias e horários de atendimento.

Lembre-se que, no caso de qualquer problema com o microinversor, quanto mais rápido for o ajuste menor será a eventual perda.


Exemplo de Microinversor Solar

Exemplo de Microinversor Solar


6. Suporte Técnico e confiabilidade do distribuidor

Nos casos em que a compra do microinversor não é realizada diretamente com o fabricante, é fundamental também se atentar à reputação do distribuidor.

Um distribuidor de confiança vai ajudar o cliente a conseguir exercer rapidamente a garantia junto ao fabricante caso seja necessário, além de ajudar a tirar diversas dúvidas em todo o período de vida útil do produto — incluindo apoio na instalação, configuração do microinversor e resolução de problemas.

Assim como os fabricantes, os distribuidores também possuem seus serviços avaliados por antigos clientes e é muito importante fazer uma pesquisa prévia na internet. As avaliações do Google e do site Reclame Aqui são exemplos de opções para checar o serviço de um distribuidor.


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Lembrando que o que conta aqui é sempre a nota e não a quantidade de reclamações. Uma empresa com poucas reclamações geralmente indica também uma baixa relevância, o que representa um risco quando falamos de 10 anos de garantia ou 30 anos de vida útil.

O bom atendimento do distribuidor faz muita diferença na hora da compra e durante o uso do microinversor, além de sua estrutura, solidez financeira e equipe dedicada ao suporte técnico. Lembre-se que, caso o seu distribuidor quebre, você pode ficar sem suporte e/ou garantia.

Esse detalhe é bem relevante, quando falamos das garantias de mais de 10 anos e da vida útil acima de 30 anos dos microinversores.


7. Número de MPPTs em microinversores

Os MPPTs (sigla de “maximum power point tracker” — ou “rastreador de ponto de máxima potência”, em português) são componentes fundamentais nos microinversores, responsáveis por otimizar a energia das placas solares fotovoltaicas.

Entenda aqui como funciona o MPPT em microinversores e o conceito de MLPE e otimização de energia individualizada.

Uma das principais vantagens dos microinversores em relação aos inversores string é justamente o fato de termos um MPPT para cada placar solar ou par delas (enquanto no inversor string costumamos ter um MPPT gerenciando de 15 a 20 placas em uma string).

Por isso, no momento da compra, é importante checar quantos MPPTs o seu microinversor possui. Normalmente, os microinversores possuem dois ou quatro MPPTs, permitindo assim que cada um deles gerencie um ou dois painéis.

Sempre que possível, prefira um micro inversor com um MPPT por painel.


Conceito MLPE (Module Level Power Electronics)

Conceito MLPE (Module Level Power Electronics)


8. Potência do microinversor solar

É grande a variedade de potências oferecidas pelos microinversores disponíveis no mercado e é importante conferir se há compatibilidade entre a potência do microinversor e a da placa solar na qual o equipamento será instalado.

De forma simples, devemos verificar se a potência do microinversor suporta a soma dos painéis ligados nele, ou seja, se tenho um microinversor de 1600W, a soma dos painéis não deveria ultrapassar essa potência. Porém, há outros fatores que devem ser levados em consideração.

Existe um conceito chamado de “Overpanelling”, que consiste no uso de uma potência maior de painéis do que a potência máxima suportada pelo inversor. Isso não só faz sentido como é recomendado pelos próprios fabricantes dos microinversores.

A ideia é que ao utilizar Overpanelling você irá obter um aproveitamento melhor do inversor, afinal dificilmente os painéis solares atingem a potência máxima verificada em laboratório, com condições controladas.

De forma geral, recomendamos um Overpanelling de até 20 ou 30% – ou seja, a potência dos painéis deve superar em até 20 ou 30% a potência do microinversor. Isso não significa que passando desse limite você vai danificar o microinversor, ele apenas limitará a produção.

A questão é que, acima desses 30%, você terá mais situações em que a produção real dos painéis será maior que a potência do inversor e nesses casos a potência ficará limitada, desperdiçando alguma energia. Portanto, para garantir o máximo aproveitamento dos painéis, você não deve abusar do Overpanelling.


9. Eficiência do microinversor

Outro ponto a ser observado no momento da compra é a eficiência do microinversor. Procure adquirir microinversores com a maior eficiência que encontrar, mas não seja o “louco da eficiência”, pois esse também é um assunto muito controverso.

Para começar, existem protocolos diferentes para se medir a eficiência e essas normas podem representar melhor ou pior a realidade. Quando for comparar, sempre utilize a mesmas medidas como, por exemplo, a eficiência CEC, uma das mais confiáveis.

Também tome cuidado com rankings de revistas ou sites, por mais que pareçam confiáveis. Há uma infinidade de variáveis e um experimento específico pode não representar a realidade de outro país ou instalação.

Aqui vale a mesma máxima de outros tópicos: mais do que o número em si, confie no seu fornecedor e no fabricante. Uma diferença de 1% na eficiência (que sequer temos certeza) será menos crítica do que outros fatores.


10. Preço e custo-benefício do microinversor solar

O microinversor, de forma geral, é mais caro do que um inversor string, mas oferece diversas vantagens que tornam o seu custo-benefício vantajoso a médio e longo prazo. Conheça esses benefícios aqui.

Entre os microinversores, também há diferenças de preço que devem ser um fator a ser levado em conta na hora da compra, mas sempre considerando também os outros pontos de atenção listados aqui, como confiabilidade do fabricante, comunicação integrada, número de MPPTs e eficiência.

Ao adquirir um produto como esse, de longa durabilidade, é fundamental pensar no “payback” – ou seja, o quanto de economia podemos ter no futuro se escolhermos o melhor produto, que deverá gerar menos custos com manutenção e melhor aproveitamento de energia ao longo de décadas.

É importante destacar também que, assim como diversos outros produtos de energia solar, os microinversores estão ficando mais baratos ano a ano, com preços em queda conforme há avanço em suas tecnologias.


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