Energia solar fotovoltaica tem perspectiva de expansão acentuada

A energia solar fotovoltaica está em um “momento emergente” no Brasil. Foi o que disse nesta última quinta-feira, 28, o diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase). A perspectiva é que haja uma expansão acentuada, com um potencial de geração de 20 empregos para cada megawatt instalado e investimentos de  R$ 7 bilhões ao longo de 20 anos.

 

Segundo o diretor da Absolar, cada megawatt instalado de energia solar gera 30 empregos a cada ano ao longo da cadeia produtiva no país onde o sistema é implantado, dos quais 20% só na parte de fabricação de equipamentos.

 

“Sendo conservador, a gente pode dizer que pelo menos 20 empregos seriam gerados para cada MW instalado. Se o governo mantiver a contratação de mil MW por ano dessa fonte, isto vai ter um potencial de gerar por volta de 20 mil empregos”, acrescentou Sauaia.

 

Os países que mais empregam em energia renovável; China é 1º

A China é o pais que mais emprega na indústria de energia renovável, com quase 3,9 milhões de postos de trabalhos ligados à energia solar, eólica e outras fontes verdes.

 

Isso é mais de 40% dos cerca de 7,7 milhões de empregos diretos e indiretos registrados no setor em todo o mundo, em 2014, segundo um novo estudo da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).

 

O número de empregos na área cresceu 18% no ano passado comparado a 2013, quando 6,5 milhões de pessoas estavam empregadas.

 

No ranking de países que mais empegam em energias renováveis, o Brasil aparace em segundo lugar , com mais de 934 mil postos de trabalho, seguido dos Estados Unidos, com 724 mil postos.

 

De acordo com o estudo, a área da indústria de energia renovável que mais emprega em todo o mundo é a solar fotovoltaica, com 2,5 milhões de pessoas.

 

Ela é seguida pela indústria de biocombustíveis líquidos, com 1,8 milhão de pessoas empregadas. Em terceiro, aparece a eólica, fonte que, pela primeira vez, passou a marca de 1 milhão de empregos.

 

No Brasil, a indústria de bioenergia é a que mais gera empregos entre as renováveis, com 845 mil postos de trabalho, o que torna o país o empregador líder em biocombustíveis no mundo.

 

Sua indústria eólica também está crescendo rapidamente e já soma 35,8 mil postos (segundo a contagem de 2014), um aumento de 12% comparado ao ano anterior.

 

Os países que mais empregam em renováveis  e número de empregos:
China 3.390.000
Brasil 934.000
Estados Unidos 724.000
Índia 437.000
Alemanha 371.000
Indonésia 223.000
Japão 218.000
França 176.000
Bangladesh 129.000
Colômbia 97.600

 

Ásia lidera criação de postos

A maior parte dos novos empregos no setor de energia renovável estão surgindo na Ásia, onde estão cinco dos 10 países do mundo com mais postos de trabalho (China, Índia, Indonésia, Japão e Bangladesh).

 

Com isso, União Europeia e os Estados Unidos agora representam 25 por cento dos empregos globais de energia renováveis, em comparação com 31 por cento em 2012.

 

“A energia renovável firma-se como um grande empregador global, gerando fortes benefícios econômicos e sociais em todo o mundo”, disse o diretor-geral da IRENA Adnan Z. Amin em nota.

 

Esse aumento está sendo impulsionado, em parte, pelo declínio dos custos de tecnologia de energia renovável, o que cria mais postos de trabalho em instalação, operação e manutenção.

 

Mas, segundo o executivo, essa expansão também é moldada por mudanças regionais, realinhamentos da indústria, crescente concorrência e os avanços nas tecnologias e processos de fabricação.

 

Fonte: Exame http://abr.ai/1HkvC5W

 

Projetos de energia solar em larga escala sofrem com recuo do real

Desde o leilão de energia de reserva de fontes alternativas, ocorrido em outubro de 2014, imaginou-se que haveria uma corrida para construção da primeira usina solar em larga escala, já que 31 projetos de energia solar ganharam contratos. Mas a taxa de câmbio atrasou esses planos. A queda do real desde o final daquele mês tornou mais cara a construção de usinas solares.

 

A desvalorização da moeda elevou os preços da importação de equipamentos e fez com que os desenvolvedores adiassem a assinatura de acordos para o fornecimento de painéis fotovoltaicos. Fabricantes que tinham a intenção de implantar fábricas de painéis solares no país estão repensando o projeto. Isto pode ameaçar o projeto da presidente Dilma Rousseff, de aumentar o uso de energia solar em mais de 100 vezes e criar uma indústria local para esse segmento.

 

O Brasil estabeleceu uma meta de ter 3,5 gigawatts de capacidade solar em operação até 2023, produzindo cerca de 1,8% da eletricidade do país, contra menos de 35 megawatts no ano passado. Os desenvolvedores instalaram 10 megawatts no país no ano passado, contra 6,3 gigawatts nos EUA e 13 gigawatts na China, principal mercado para a energia solar, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance.

 

O país tem planejado para este ano mais dois leilões de energia solar, previstos para agosto e novembro. Maurício Tolmasquim, presidente da Agência de Pesquisa Energética – EPE, disse que o governo irá considerar múltiplos fatores quando estabelecer os preços máximos, incluindo as taxas de câmbio e disponibilidade de financiamento por meio do BNDES.

 

Governo prepara salto da energia solar em residências e empresas

Uma ação coordenada do Governo Federal em várias frentes, com o estímulo do Ministério de Minas e Energia, deverá mudar nos próximos anos o cenário da geração de energia solar das grandes cidades brasileiras. Até 2024, cerca de 700 mil consumidores residenciais e comerciais deverão ter instalado em seus telhados e coberturas painéis fotovoltaicos, que transformarão a luz solar em energia elétrica. Quando houver excedente, a energia de sobra será vendida para a distribuidora, ajudando a reduzir a conta de luz do domicílio.

 

A estimativa é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que prevê um potencial de 2 GW de potência instalada com essa modalidade de geração distribuída nesse período, com foco neste momento na energia solar fotovoltaica. Esse mesmo conceito de geração distribuída comporta outras formas de geração próximas do consumidor, como a eólica, ou até mesmo a de geradores. Outra estimativa de mais longo prazo, elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê que até 2050 cerca de 13% do abastecimento das residências no País deverá ser proveniente dessa fonte.

 

“Na energia solar, temos um elenco de ações para alavancar a fonte, seja pela microgeração, seja pela geração distribuída, seja por leilões de fontes alternativas. Você pode até ter casos de cogeração com a mesma subestação e a mesma linha, o que está acontecendo muito na Bahia. E também os flutuadores com fotovoltaica nas hidrelétricas”, avalia o ministro Eduardo Braga.

 

Entre as medidas estimuladas pelo Ministério estão a simplificação nas regras para a geração em casas e prédios comerciais; mudança na tributação da energia produzida; e fomento ao investimento industrial no setor. Um convênio levado ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e já firmado pelos estados de São Paulo, Goiás e Pernambuco na semana passada, prevê que o consumidor não pagará o tributo estadual (ICMS) sobre a energia que ele próprio gerar, mas apenas sobre o excedente que ele consumir da rede de distribuidoras. Por exemplo, uma família que consome 200 kWh ao mês e que produza 120 kWh, recolherá ICMS apenas sobre 80 kWh.

 

Esse convênio, que deverá ser firmado também por outros estados, é o ponto de partida para que a União também reduza a tributação do PIS/Cofins sobre esse tipo de geração, informou o ministro Braga. “Esse é um passo importante. Agora nós vamos partir para dentro do governo para fazer a desoneração do PIS e do Cofins. Esperamos que, com isso, possamos colocar de pé nossa proposta de geração distribuída e geração microdistribuída solar no País”, afirmou.

 

Na última terça-feira (05), a Aneel também deu novo passo para simplificar e acelerar os processos de geração de energia com painéis solares, com a revisão da Resolução Normativa nº 482. A Aneel abriu audiência pública para debater o assunto. Segundo a Agência, a revisão deverá reduzir as barreiras que ainda dificultam a conexão dos micro e mini geradores às distribuidoras. Desde a publicação da resolução em 2012 até março deste ano, foram instaladas 534 centrais geradoras, sendo 500 solar fotovoltaica, e a mudança deve estimular novos projetos.

 

Com a isenção, a instalação de projetos de geração de energia pelas residências ou prédios comerciais se torna mais atraente, com maior retorno sobre o investimento. Segundo estudo elaborado pela EPE no final de 2014, a capacidade instalada de geração distribuída fotovoltaica projetada em 2013 era de 835 MWp. Com a eliminação da tributação do ICMS sobre a compensação de energia, as projeções seriam alteradas para uma potência instalada de 1,3 GWp, ou seja, quase 60% maior.

 

Fonte: Setor Energético http://bit.ly/1H6HnSN

 

Decisão do Confaz é considerada como passo importante na microgeração

A publicação pelo Conselho Nacional de Política Fazendária do ajuste que disciplina a mini e a microgeração de energia foi bem recebida pelo setor. Junto com ela, o convênio autorizado pelo conselho que zera o ICMS nesse tipo de operação em São Paulo, Pernambuco e Goiás, foi recebido como um sinal positivo que pode dar início a um incremento no segmento. De acordo com Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a medida faz com que caia um obstáculo. “Ela corrige a barreira tributária que existia”, explica. A cobrança de ICMS vinha de uma lacuna na resolução 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica, que apesar de regulamentar a atividade, não tinha força para estabelecer que a operação era um mútuo e não incidiria imposto sobre ela.

 

A expectativa é que o aval dado para que esses três estados zerem o imposto faça com que os outros estados da federação se organizem internamente para também adotar essa isenção, entrando no mesmo convênio. Minas Gerais já tem uma lei estadual sobre o assunto e estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e os da região Nordeste também já demonstraram interesse em zerar a alíquota. “Os secretários estaduais de Fazenda devem se posicionar”, avisa Sauaia. Ainda segundo o presidente da Absolar, os estados terão um ganho de atratividade com a microgeração. Segundo informações dadas pelo coordenador do Confaz, José Barroso Tostes Neto, que é secretário de Fazenda do estado do Pará, esses estados foram contemplados primeiro porque já possuíam unidades com excedente de energia, mas que os outros poderiam ser inseridos no convênio.

 

Barbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, considerou a decisão do Confaz uma medida positiva já que sem a isenção, a microgeração ficava em média 20% mais cara por causa do ICMS. Mas ela gostaria que o convênio já estivesse sendo aplicado em todos os estados da federação. O impacto nesse momento seria pequeno, uma vez que o país tem pouco mais de 300 projetos de microgeração. Ela também pede uma atitude mais agressiva do governo no tema. “Falta uma postura mais ativa do governo federal em negociar e pressionar os estados para que eles adotem essa medida “, observa.
No último dia 23 de abril, ativistas do Greenpeace foram até o Palácio do Planalto munidos de placas solares para pedir a presidente Dilma Rousseff que incentive o uso da energia solar, começando pelo próprio palácio. No início do mês, a organização também foi ao ministro da Fazenda Joaquim Levy para que ele, que é o presidente Confaz, pressionasse pela alteração na forma de incidência do ICMS nos Estados.

 

Fonte: Agência Canal Energia http://bit.ly/1v7ysu8