Uso de energia solar cresce no Brasil

O mercado de energia solar vem conquistando espaço no Brasil. Atualmente, se compararmos “os telhados solares com a energia gerada por meio hidrelétrico, é como se em nosso país já tivéssemos 57% da potência instalada de uma usina de Itaipu que também abastece o Paraguai. Entretanto, existe ainda a vantagem do desenvolvimento sustentável.

No âmbito global,  COP 26, Conferência do Clima realizada em Glasgow, na Escócia, a fonte solar consolidou-se como uma das soluções para diversificar a matriz energética e reduzir a emissão de gases do efeito estufa das principais economias do planeta nas próximas décadas. Segundo a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o Brasil, que hoje ocupa a 14ª posição neste mercado, tende a subir para o sexto lugar nos próximos dois anos a partir dos investimentos previstos. 

Dados da Absolar mostram que apenas 0,9% dos 88 milhões de consumidores de energia elétrica no país fazem uso do sol para produzir energia, mas aos poucos esta realidade está sendo modificada. Até outubro deste ano o país contava com 800 mil unidades consumidoras de energia de fonte solar, o que significa 450 mil instalações em relação a todo 2020.

Tal crescimento é resultado de fatores como a tecnologia ter se tornado mais acessível, o preço elevado da conta de luz cobrado pelas concessionárias impactado pela crise hídrica que o país enfrenta e o aumento do consumo de energia provocado pelo trabalho remoto na pandemia.

Mercado fotovoltaico se beneficia da ampliação dos perfis dos consumidores

Além de ter se tornado mais acessível, investir em energia solar promove economia de até 99% na conta de luz

 

O mercado fotovoltaico está se beneficiando de uma expansão no perfil dos clientes. O fato de que novas tecnologias permitiram instalações mais baratas tornou o consumo de placas mais vantajoso para um número maior de famílias, isso sem contar com as condições de financiamento oferecidas pelos bancos e outras opções como compartilhamento de placas até mesmo aluguel. A opção traz economia na conta de luz que pode chegar a até 99% a depender do consumo mensal da residência.

 
Outro fator que contribui para a ampliação do público é o aumento do custo da energia elétrica. Ainda que não seja acessível a pessoas de baixa renda, as novas condições tornam a compra mais fácil para quem não tem uma renda mensal tão alta. Vale ressaltar que em casos de comunidades ribeirinhas ou outros locais remotos cujo acesso à energia elétrica é limitado, a NeoSolar oferece o Sistema Individual de Geração de Energia Elétrica (SIGFI), que é off-grid.

 
A instalação de placas solares têm retorno mais vantajoso para quem tem conta de luz a partir de R$500,00, já que nesses casos a economia pode girar entre 95% e 99%. Quem tem um consumo menor pode demorar mais para ter retorno, já que nos sistemas on-grid ainda é necessário pagar a conta de energia, embora haja um desconto considerável.

Levantamento da ABSOLAR indica que tecnologia é uma das saídas para a recuperação da economia pós pandemia da covid-19

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) acaba de divulgar que o Brasil ultrapassou 5 gigawatts (GW) de potência operacional em energia solar fotovoltaica em usinas de grande porte e pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos.

 

O levantamento mostra ainda que a tecnologia é uma das estratégias na recuperação da economia após passar a pandemia do coronavírus, pois tem um grande potencial de geração de empregos, renda e atração de novos investimentos ao País.

 

Além dessa quantidade de potência instalada, a energia solar já gerou cerca de 130 mil empregos acumulados, com aproximadamente 15 mil empresas atuando no mercado e uma quantidade de mais de R$ 26,8 bilhões em novos investimentos privados no País.

 

Energia solar “bomba” no Brasil atrai grandes empresas chinesas e startups

A paisagem dominada principalmente por campos verdes e plantações de cana-de-açúcar à beira de uma rodovia em Porto Feliz, a cerca de 150 quilômetros do centro de São Paulo, é interrompida repentinamente em certo ponto por um aglomerado de placas azuis de silício voltadas para o sol.

 

Funciona ali uma pequena usina de energia solar cuja produção é dividida por cerca de 40 clientes, que vão desde residências até estabelecimentos comerciais como padarias e academias –um modelo de negócios conhecido como geração distribuída, que atrai cada vez mais empreendedores de todos os portes no Brasil e já movimenta bilhões de reais por ano.

 

A instalação desses sistemas de energia renovável, em terrenos ou telhados de casas e edifícios, deve atrair investimentos de 16 bilhões de reais neste ano, quase três vezes mais que em 2019, movimentando um mercado fortemente aquecido que envolve desde importações de equipamentos da China e fábricas locais até grandes elétricas e fundos, além de um amplo universo de empresas menores.

 

Somente neste ano, as novas instalações da tecnologia, conhecida pela sigla “GD”, devem agregar cerca de 3,4 gigawatts em capacidade no Brasil, somando ao fim de 2020 cerca de 5,4 GW, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), o que fará dela a fonte com maior crescimento no país no ano, à frente das tradicionais hidrelétricas e dos parques eólicos.

 

Consumidores, de outro lado, são atraídos não somente pelo retorno oferecido, mas pelo conceito da energia renovável, que tem crescido a taxas muito mais altas no exterior. Com um gasto de 12 mil a 20 mil reais, é possível ter um sistema residencial de geração distribuída que pode durar um quarto de século, enquanto o investimento se paga em aproximadamente quatro anos.

 

O potencial do Brasil, um país de dimensões continentais e clima amplamente favorável à geração solar, atrai assim a atenção de gigantes globais.

 

 

Fonte: https://glo.bo/2vGHjLF

Sobre os sistemas autônomos de energias solar fotovoltaica

Hoje vamos falar sobre os sistemas isolados ou autônomos para geração de energia solar fotovoltaica, que, apesar de não serem necessários nas regiões urbanas, são super importantes  para que não têm acesso a rede elétrica, que ainda são muitos aqui no Brasil. 

 

Esse sistema é caracterizado por não se conectar a rede elétrica, ele abastece diretamente os aparelhos que utilizarão a energia. Esta solução é o modo mais econômico e prático de se obter energia elétrica nestes lugares remotos. Nos períodos sem sol, o abastecimento é garantido pela energia armazenada nas baterias. Podem ser usados, por exemplo, em sistemas de bombeamento de água, eletrificação de cercas, geladeiras para armazenar vacinas, postes de luz, estações replicadoras de sinal, etc. 

 

Os sistemas isolados de geração de energia solar fotovoltaica, de maneira simplificada, são compostos de quatro componentes:

 

Painéis solares:

São o coração do sistema e geram a energia elétrica que abastece as baterias. Tem a função de transformar a radiação solar em corrente elétrica contínua. Um sistema pode ter apenas um painel ou vários painéis interligados entre si

 

Controladores de carga:

É como se fossem a válvula do coração e garantem o abastecimento correto das baterias, evitando sobrecargas e descargas profundas, o que auxilia no aumento de vida útil do sistema.

 

Inversores:

São o cérebro do sistema e tem a função de transformar corrente contínua (CC) em corrente alternada (AC) e levar a tensão, por exemplo, de 12V para 127V. Em alguns casos, pode ser ligado a outro tipo de gerador ou à própria rede elétrica para abastecer as baterias.

 

Baterias:

São o pulmão do sistema e armazenam a energia elétrica para ser utilizada nos momentos em que não há sol e não há outras fontes de energia.

Nós lançaremos na InterSolar 2019, que acontece este mês, uma solução  completa desenvolvida para atender residências em regiões remotas e sem acesso à energia. Fiquem de olho! 

Aniversário NeoSolar: Os diferenciais do nosso e-commerce e nossos objetivos para os próximos anos

Ainda no clima de aniversário e nostalgia pelos nossos quase 10 anos no mercado, hoje vamos falar sobre os diferenciais do nosso e- commerce, que foi por onde começamos como contamos no post anterior e falar um pouco sobre nossos objetivos para os próximos anos.

 

Nossa loja, atualmente, tem como como diferencial a capacitação técnica do time comercial, que permite a sugestão de diferentes e mais eficientes opções na hora da compra. Essa também foi a motivação para investirms em uma grade de cursos e em um centro de treinamento próprio – que hoje é um dos nossos segmentos.

 

Nossos objetivos para os próximos anos, estão baseados em investimentos de conteúdos relacionados ao mercado de energia solar, novas soluções e ferramentas, além de uma experiência que facilite o processo de compra e o de busca por informações do setor. Nossa estratégia se baseia em evoluir sempre em nosso mercado atual e em novas oportunidades, contando com um time qualificado para atender e surpreender nossos clientes, além, é claro, de utilizar todas as métricas disponíveis, especialmente no ambiente digital, para suportar nossas tomadas de decisões.

 

 

Para quem ainda não sabe, nós comercializamos também produtos de infraestrutura para veículos elétricos e somos parceiros e distribuidor oficial de carregadores de veículos elétricos da Schneider Electric, no Brasil. Além da distribuição de equipamentos via e-commerce e telefone, prestamos consultoria, instalação de sistemas fotovoltaicos e atuamos na capacitação profissional tanto na área de energia solar fotovoltaica como na de veículos elétricos.

 

 

E pensar que tudo começou lá atrás, com nosso e-commerce, em um ramo praticamente inexistente na época …

 

Fábrica solar da Tesla exporta maioria de suas células, diz documento

A exportação ressalta a profundidade dos problemas da Tesla nos negócios de energia solar dos Estados Unidos, que a fabricante de carros elétricos entrou em 2016 com sua controversa compra da SolarCity por 2,6 bilhões de dólares.

 

A Tesla só esporadicamente compra células solares produzidas por sua parceira na fábrica, a Panasonic, de acordo com um funcionário da fábrica solar de Buffalo falando sob condição de anonimato. O restante vai em grande parte para compradores estrangeiros, de acordo com uma carta da Panasonic a autoridades alfandegárias dos EUA, analisada pela Reuters.

 

Quando as duas empresas anunciaram a parceria em 2016, as empresas disseram que colaborariam na produção de células e módulos e a Tesla assumiria um compromisso de longo prazo para comprar as células da Panasonic. As células são componentes que convertem a luz do sol em eletricidade; elas são combinadas para fazer painéis solares.

 

A Tesla planejava usá-los em seu telhado solar, um sistema destinado a parecer com telhas normais. Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, classificou o produto como o alicerce da estratégia por trás da aquisição – vender um estilo de vida com baixa emissão de carbono a consumidores ecologicamente conscientes que poderiam usar a energia do Solar Roof para carregar seu veículo elétrico Tesla.

Fonte: https://bit.ly/2EaBYND

 

Energia solar cada vez mais competitiva

Embora pudesse ter avançado mais, não fosse o cancelamento de leilões em 2016, a energia solar fotovoltaica tem crescido no Brasil, tornando-se hoje um dos setores mais atraentes para investimentos. Como informa a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), esse tipo de energia atingiu há pouco a marca de 2.056 megawatts (MW) de potência instalada operacional, o equivalente a 1,2% da matriz elétrica do País, superando a energia nuclear (1.990 MW), suprida pelas usinas de Angra I e Angra II.

 

O País possui atualmente 73 usinas solares fotovoltaicas de grande porte, que carrearam investimentos de mais de R$ 10 bilhões, hoje em operação em nove Estados das Regiões Nordeste, Sudeste e Norte do País. Os investimentos podem crescer muito mais com o manifesto interesse de empresas nacionais e internacionais em participar dos seis leilões de energia nova a serem realizados entre 2019 e 2021, segundo foi divulgado pelo Ministério de Minas e Energia.

 

 

Independentemente desses certames, pequenas empresas e particulares se movimentam para investir nesta área com vistas a poupar gastos com energia. Uma startup japonesa, em parceria com uma empresa nacional, por exemplo, anunciou, no final do mês passado, a construção de uma pequena unidade solar, com capacidade de 1,1 MW, em Brasília. Iniciativas como esta já são bastante comuns também no agronegócio.

 

Na realidade, avanços tecnológicos têm favorecido a competitividade de usinas solares fotovoltaicas de grande porte, permitindo fortes reduções de preços, e não só em relação a combustíveis fósseis. As usinas solares, afirma a Absolar, estão em condições de ofertar energia elétrica a preços médios inferiores aos praticados por outras fontes renováveis, como biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

 

 

As maiores queixas dos empreendedores estão ligadas às altas tarifas alfandegárias para importação de matéria-prima necessária para produção de módulos fotovoltaicos, o que onera demasiado os custos de construção de usinas. Segundo empresários, isso acaba prejudicando a indústria nacional, já habilitada a fabricar todos os equipamentos utilizados.

 

 

Espera-se que, com a abertura comercial, que consta do programa econômico do atual governo, distorções como esta sejam eliminadas.

Por : Caderno de Opinião da jornal O Estado de São Paulo

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/editorial-economico,energia-solar-cada-vez-mais-competitiva,70002761457

 

Aposta em energia sustentável gera economia e rende prêmios

Aproveite antes que acabe! Esse bem que poderia ser o slogan para estimular os que ainda têm dúvida em relação às vantagens de se adotar a sustentabilidade como um ganho consistente para os negócios. Tudo bem que não são todos os casos em que as vantagens são instantâneas, mas no campo da energia e, principalmente, a solar, não há razões para não se buscar essa fonte como opção por energia de baixo impacto ambiental (limpa e renovável), fácil instalação e, quase sempre, apresentando uma importante redução nos custos financeiros. Pois além desses fatores já suficientes para uma decisão de mercado, que tal ainda ser possível obter ganhos em reconhecimento, imagem e até prêmios?

 

Recentemente conheci dois projetos ligados à energia solar que tiveram resultados bastante gratificantes para os empresários que decidiram adota-la.

 

Título de Cidadão

 

Há cerca de 10 anos, o empresário Francisco Edival Gonçalves Freires decidiu abrir o Hotel Tropical para aproveitar a vocação de turismo de negócios em sua cidade, Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul (cerca de 300 quilômetros da capital Campo Grande). Logo Edival percebeu que o calor local seria um fator de grande consumo de energia dos seus cerca de 500 hóspedes mensais no uso de ar condicionado em seus 26 quartos, isso sem contar outros consumos cotidianos como os de frigobar, chuveiro elétrico, aparelhos eletrônicos e iluminação.

 

 

Uma conta de energia de quase três mil reais todos os meses foi um fator fundamental para que o empresário pensasse na solução solar para o hotel. O sol que não falta nessa região do Centro-Oeste é um argumento pra lá de inquestionável: “Quando comecei o negócio já tinha pensado nesse caminho, mas era muito caro”, explica Edival. O constante barateamento da energia solar o convenceu da viabilidade do investimento.

 

Um projeto da empresa NeoSolar para a instalação de 97 placas solares acompanhadas de uma convidativa linha de crédito do FCO (Fundo de Financiamento do Centro-Oeste) do Banco do Brasil tornaram realidade a geração de 3.700 kWh consumidos mensalmente pelo hotel. O melhor: não houve necessidade de desembolso de capital, pois com o valor economizado foi possível pagar a prestação. “Tem gente que pensa que é um negócio complicado, mas com uma instalação de boa qualidade, bem feita, os resultados são imediatos”, conclui o proprietário do hotel.

 

Bem, só isso já seria suficiente para a satisfação do empresário, mas graças ao fato de ter sido o primeiro a usar energia solar na hotelaria da cidade, Edival passou a ser referência, inclusive para as escolas e os estudantes da região que de tempos em tempos realizam visitas monitoradas ao hotel. E não foi só isso, o empreendedorismo ainda lhe rendeu uma homenagem na Câmara Municipal de Nova Andradina.

 

Premiação e reconhecimento

 

Outro exemplo interessante é o de Luiz Claudio Dutra, proprietário da Bavep Barretos, concessionária da General Motors há 46 anos na cidade do interior paulista. Diante de uma conta de energia variando entre cinco e sete mil reais mensais e um consumo próximo de 9 mil Kwh, a opção pelo projeto solar não foi difícil. “Fizemos a instalação em setembro de 2017 e nossa conta já caiu para cerca de 200 reais por mês”, conta Luiz.

 

260 placas interligadas garantem o abastecimento da concessionária que comercializa em média 100 veículos novos e 60 usados todos os meses. O financiamento, segundo o empresário, não teve vantagens adicionais por contemplar instalação de energia limpa e renovável. Mesmo assim, será pago em 48 meses ou quatro anos.

 

Para a revendedora de veículos um bom negócio que, além da questão puramente financeira, ainda colheu frutos sendo contemplada com Prêmio Sustentabilidade 2018 concedido pela montadora General Motors pelo projeto Sistema de micro geração distribuída de Energia Fotovoltaica.

 

Que sirvam de exemplo para que novas iniciativas sustentáveis do setor privado sejam capazes de tirar outras empresas da falsa sensação de conforto, pois os custos, entre outros, da energia, água e matérias primas só tendem a crescer. Isso para não falarmos da necessidade urgente de combate às mudanças climáticas e ao aquecimento global. Desenvolvimento sustentável é o único caminho possível para que possamos continuar a habitar este planeta.

 

Por Reinaldo Canto para Revista Carta Capital

Geração distribuída: liberdade e empoderamento à sociedade

Em tempos de democratização do conhecimento, virtualização das informações, inteligência artificial e transformações tecnológicas que empoderam e facilitam a vida do cidadão, a avassaladora maioria dos consumidores brasileiros, por mais antagônico que pareça, não tem liberdade para escolher o fornecedor ou a fonte da energia elétrica que utiliza diariamente.

 

Os consumidores recebem a eletricidade de uma única distribuidora, que detém o monopólio de fornecimento da energia elétrica em regiões pré-determinadas. Não por acaso, estes consumidores foram apelidados no setor elétrico de “consumidores cativos”, ou seja, “prisioneiros” do monopólio de sua região, conforme sugere a etimologia da expressão.

 

A partir de 2012, houve, no entanto, uma histórica mudança deste velho paradigma, traduzida em uma visão inovadora da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Trata-se da a Resolução Normativa 482, que deu origem a uma verdadeira revolução em prol da liberdade, da proatividade e do poder de escolha dos cidadãos.

 

Com esta medida, chegou a tão sonhada alforria aos consumidores cativos, que saíram da posição de meros espectadores para tornarem-se protagonistas no setor elétrico brasileiro, usando telhados e fachadas de edifícios, coberturas de estacionamentos e até pequenas áreas de terreno para gerar energia elétrica por meio do sol, água, biomassa e vento. Isso faz desta resolução uma das mais importantes da história da Agência.

 

No entanto, este empoderamento não ocorre sem resistências. Ao tornar os consumidores produtores de sua própria energia renovável, a geração distribuída ameaça as receitas e lucros de distribuidoras que não se adaptarem à nova realidade da sociedade.

 

Não por acaso, o número de reclamações de consumidores sobre as dificuldades para conectar sistemas de geração distribuída tem crescido exponencialmente. Os problemas relatados vão desde a realização de exigências descabidas em termos de projetos e documentos, até mesmo o descumprimento gritante de prazos para que o sistema do consumidor seja conectado à rede.

 

Neste vai-e-volta de exigências tortuosas, o maior prejudicado é sempre o mesmo: o consumidor. Cabe à sociedade denunciar estes abusos e à Aneel fiscalizar e punir os problemas identificados, evitando barreiras ao progresso, à modernização do setor e às inovações que facilitam e beneficiam os cidadãos.

Como reações ao avanço da geração distribuída, dois movimentos ocorrem no setor: de um lado, grandes grupos econômicos, tradicionais e conservadores, têm mobilizado um pesado lobby na tentativa de alterar esta regulação da Aneel. A intenção é fazer com que os consumidores paguem mais pelas redes de distribuição quando produzirem a sua própria energia elétrica. Do outro lado, empresas mais inovadoras e conscientes da inevitável transformação do setor já começaram a estruturar atividades em geração distribuída, ajustando o seu modelo de negócio à nova realidade do mercado para participar deste segmento.

 

Cabe esclarecer que todo consumidor com geração distribuída paga pelo custo de disponibilidade da rede de distribuição, responsável pelo rateio de custos da infraestrutura das distribuidoras, conforme regulamenta a Aneel. Esse pagamento também é feito no caso de projetos de médio porte conectados em média tensão, via pesados custos de demanda sobre as usinas de geração distribuída. Por vezes, os empreendedores de geração distribuída arcam, inclusive, com uma parte dos custos de reforço da rede, doando posteriormente estes reforços para as distribuidoras.

 

De forma intencional, o discurso do lobby deixa de fora da análise os vastos benefícios econômicos, sociais, ambientais e estratégicos proporcionados pela geração distribuída. Um deles, por exemplo, é o ganho direto para as próprias distribuidoras com a redução de perdas na distribuição de energia elétrica.

 

Desse modo, se o objetivo é que os consumidores paguem mais pelas redes, nada mais justo do que serem também remunerados pelos serviços e benefícios que proporcionam ao País.

 

Cientes da necessidade de buscar equilíbrio entre os agentes do setor elétrico e em benefício da sociedade, as equipes técnicas da Aneel corretamente incorporaram os ganhos da geração distribuída em sua avaliação para aprimorar a regulamentação da modalidade. A Aneel destacou em sua Análise de Impacto Regulatório (AIR) n.º 004/2018 seis importantes benefícios dentre os inúmeros trazidos pela geração distribuída, deixando espaço para a inclusão de outros aspectos imprescindíveis nos cálculos a serem efetuados ao longo dos debates sobre a norma.

 

Na reunião de diretoria da Aneel que deu início à abertura dos trabalhos de 2019, o Diretor-Geral da agência regulatória, André Pepitone, foi preciso e enfático ao esclarecer que a regra vigente para a compensação de energia elétrica não sofrerá alterações retroativas, ou seja, continuará a valer para todos os consumidores que já produzem sua energia elétrica através da geração distribuída. Esta diretriz é um importante sinal de segurança jurídica e regulatória e também de respeito aos consumidores e empreendedores pioneiros deste modelo no Brasil, afastando o risco de judicialização no segmento.

 

Apesar de a geração distribuída estar, finalmente, crescendo no País, o fato é que permanecemos muito atrasados em relação ao mundo. No Brasil a geração distribuída trouxe liberdade a menos de 75 mil consumidores de um universo de mais de 84 milhões de consumidores cativos atendidos pelas distribuidoras. Ou seja, não representa nem uma gota sequer em um oceano de brasileiros cada vez mais pressionados por altas tarifas.

 

Tudo indica, todavia, que o Brasil acaba de entrar em um novo período de prosperidade, com um novo ciclo de crescimento econômico. A segurança energética é ponto crucial para sustentar tal avanço. Neste sentido, a geração distribuída torna-se ainda mais estratégica, pois os investimentos ocorrem de forma descentralizada e espontânea por parte dos próprios consumidores, desafogando a necessidade de vultosos aportes do poder público e acelerando o desenvolvimento econômico, social e ambiental do País.

 

*Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração daAssociação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)

*Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, mestre em EnergiasRenováveis pela Loughborough University (Reino Unido) e doutor em Engenharia e Tecnologia de Materiais pela PUC-RS, com colaboração internacional na área de energia solar fotovoltaica realizada no Fraunhofer Institut für Solare Energiesysteme (Alemanha)

Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo em 01 de fevereiro de 2019.

Link:https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/geracao-distribuida-liberdade-e-empoderamento-a-sociedade/