Energia solar se torna a terceira maior fonte na matriz energética do Brasil

A energia solar acaba de se tornar a terceira maior fonte da matriz energética do Brasil, superando as termelétricas, o gás natural e a biomassa. Segundo a Absolar, a energia produzida a partir dos raios solares atingiu 16,4 gigawatts de potência instalada e agora fica atrás apenas das fontes hídrica e eólica no país

E a expectativa é de um futuro cada vez mais promissor para o setor que cresce há anos de forma acelerada.

Um estudo feito pela Bloomberg New Energy Finance prevê que a energia fotovoltaica chegará à liderança entre todas as matrizes energéticas do país até 2050. Pelo prognóstico, nesse período, 32% de toda a energia consumida no Brasil virá do sol, enquanto 30% terá origem hídrica (que hoje representa 53,9% do consumo brasileiro).

Energia Solar é a terceira maior Matriz Energética do País
Energia Solar é a terceira maior Matriz Energética do País (Crédito da Imagem: Reprodução)

Para chegar ao resultado comemorado pelo setor de energia solar, é preciso relembrar de fatos e da evolução que marcaram a história no Brasil, como a instalação da primeira usina, em agosto de 2011, no município de Tauá, no sertão do Ceará. No espaço de 12.000 m², foram instalados 4.680 painéis fotovoltaicos, com capacidade inicial de geração de 1 MW.

No ano de 2012, a publicação da Resolução Normativa nº 482 marcou outra alteração no setor. Instituída pela Aneel, a norma permitiu que o consumidor brasileiro pudesse, a partir dali, gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis ou cogeração qualificada, inclusive fornecendo o excedente para a rede de distribuição de sua localidade.

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Três anos depois, em 2015, a RN 687 da Aneel regulamentou a geração distribuída em condomínios (sendo os condomínios caracterizados como empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras). Nesta configuração, a energia gerada pode ser compartilhada entre os condôminos de acordo com porcentagens previamente definidas pelos próprios consumidores.

Ranking da energia solar no Brasil

No ranking de Geração Distribuída nacional, o estado de Minas Gerais lidera, com 1.840 MW de potência instalada, o que representa 16,2% do total; na segunda posição, está São Paulo, com 1.501 MW, ou 13,2%; e em terceiro lugar, o Rio Grande do Sul, com 1.313 MW e 11,6%. Em quarto e quinto, aparecem respectivamente Mato Grosso (745 MW/6,6%) e Goiás (541 MW/4,8%).

O Nordeste, caracterizado por apresentar cidades com grande incidência solar, aparece apenas na oitava posição do ranking: a Bahia representa 4,3% do total de Geração Distribuída, com 487 MW.  Mas vale ressaltar que, quando analisado o recorte por municípios, a capital do Piauí, Teresina, ocupa o segundo lugar do país, com 117 MW de potência instalada, atrás apenas de Cuiabá, capital do Mato Grosso, que lidera o ranking com 126 MW.

Outro fato importante na história da energia solar nacional – e responsável por impulsionar a instalação de painéis em todo o país – foi a sanção do Marco Legal da Geração Distribuída, conhecido como “Marco da Energia Solar”, que acaba de completar seis meses de regulamentação. A nova legislação, de janeiro de 2022, prevê que os consumidores que produzem a própria energia solar passem, gradualmente, a pagar tarifas sobre a distribuição. Atualmente, micro e minigeradores estão isentos, e a lei mantém essa garantia até 2045 também para quem solicitar o serviço até janeiro de 2023.

O Marco Legal da GD segue o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que garante que a instituição legal seja feita gradualmente e as mudanças sejam colocadas em prática pelo mercado de maneira organizada e economicamente sustentável. A lei regulamenta as modalidades de geração, o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e o Programa de Energia Renovável Social (PERS).

Após o fim do prazo, em janeiro de 2023, a lei prevê para os novos consumidores uma adaptação de seis anos, com a proposta inicial de tarifa de 15% dos custos de distribuição e manutenção dos serviços, aumentando 15% ao ano até chegar a 90% em 2028.

Benefícios ao meio ambiente

Há diversas maneiras de aproveitar a energia produzida pelo sol, por meio das tecnologias fotovoltaica, térmica e heliotérmica. Basicamente, em qualquer lugar com incidência de raios solares, é possível que ao menos um dos tipos de energia solar seja instalado.

Em comparação com outras fontes, a energia solar é uma das mais limpas e ecologicamente corretas. O processo para a sua obtenção acarreta menos impactos ao meio ambiente, sem gerar resíduos, e é uma forma de reduzir as emissões de poluentes causadores do aquecimento global.

Para se ter uma ideia dos impactos positivos, a emissão de 24,6 milhões de toneladas de CO² foi evitada no Brasil, desde 2012, graças à utilização de energia solar.

Benefícios à economia

O custo inicial de um equipamento para utilização de energia solar pode ser alto em comparação a outras tecnologias. Porém, a médio ou longo prazo, muitas vezes o investimento compensa por conta do custo-benefício, ou payback.

Ou seja, a energia solar “se paga” após alguns meses ou anos de uso. No caso dos sistemas fotovoltaicos, por exemplo, a economia gerada com a conta de luz – e a possibilidade de se gerar créditos nas concessionárias de energia ou de se redistribuir energia excedente – costuma cobrir o preço da compra dos produtos solares e sua instalação.

Empregos são gerados com o crescimento da Matriz Energética Solar
Crescimento da Matriz Energética Solar gera empregos (Crédito da Imagem: Reprodução)

A baixa necessidade de manutenção é outro diferencial que pode tornar o custo-benefício da energia solar mais vantajoso. Um painel fotovoltaico de qualidade costuma ter vida útil de 30 a 40 anos — uma durabilidade que evita a necessidade de trocas no sistema ao longo de décadas.

Para a economia brasileira, graças à geração de energia solar, foram investidos R$ 87 bilhões, criados 492 mil novos empregos e arrecadados R$ 23 bilhões em tributos. Desde 2019, a fonte solar está entre as mais competitivas, e o setor acumula altas no preço-médio do megawatt-hora leiloado no Mercado Regulado.

Escola sustentável em Los Angeles

A escola pública, Green Dot Animo Leadership se tornou escola modelo no quesito sustentabilidade.

 

Construída recentemente tem em sua fachada painéis fotovoltaicos, são 650 painéis responsáveis por 75% da energia utilizada na escola.

 

Se tornando não só exemplo em arquitetura sustentável e de energia renovável, mas também servindo de inspiração para construção de escolas desse tipo no mundo inteiro, principalmente em regiões com alta incidência de raios solares.

 

Além da eficiência na geração de energia solar, a escola aproveita a ventilação e luz natural devido sua construção ter sido projetada pra isso.

Isso reduz a utilização de ar condicionado e iluminação artificial em ambientes, reduzindo assim o gasto de energia.

 

Fonte: http://ciclovivo.com.br/